Última atualização em 05/10/2026 às 10:10:43
Unidades da Di Valentini aumentam produção e quadro de trabalhadores, com perspectiva de novas contratações ainda este ano
A expansão da indústria calçadista tem ampliado a oferta de empregos em Carira e Nossa Senhora Aparecida. Neste município, a unidade da calçadista Di Valentini passou de 146 para 265 trabalhadores, refletindo um crescimento de 81,5% nos postos de trabalho de janeiro a agosto, e prevê novas contratações até o fim do ano. Já em Carira, o número de funcionários mais que dobrou e ainda há previsão de expansão até o próximo ano.

Segundo Marcos Haag, gerente industrial da unidade calçadista em Nossa Senhora Aparecida, o crescimento acompanha o período de maior demanda do setor. “Estamos vivendo o auge do ano no mercado de calçados, que é o segundo semestre, quando ocorre um ‘boom’ de produção”. A produção em Aparecida passou de 2.400 para 4.000 pares por dia, crescimento de aproximadamente 66,7%.

A empresa prevê novas contratações para atender ao período de maior movimentação do setor. “Estamos abrindo mais uma unidade de montagem e temos a perspectiva de contratar mais umas 20 pessoas ainda este ano. Para isso, estamos buscando candidatos e recebendo currículos”, completou o gerente industrial Marcos Haag.
Oportunidade de trabalho no município

Para os moradores dos municípios, encontrar uma oportunidade de trabalho na própria cidade representa mais do que uma nova fonte de renda. É também a possibilidade de reduzir deslocamentos e construir projetos de vida perto de casa. “Sou aqui de Nossa Senhora Aparecida e o município estava precisando, porque a gente tinha que se deslocar para cidades vizinhas para trabalhar. É incrível ter um emprego na sua cidade”, relata Karla Vitória Barreto, de 21 anos, auxiliar de produção.

Já para Silvane Bonfim, de 42 anos, a oportunidade na fábrica marcou a entrada no mercado formal. Ela começou na faxina e atualmente trabalha como marcadora de peças. “É o meu primeiro emprego formal e pra mim representa muita coisa, porque eu não tinha renda. Estão chegando muitos colegas novos e que Deus ajude para que continue crescendo e poder ter emprego para o povo todo”.
Carira também amplia produção e empregos

Em Carira, o quadro de funcionários mais que dobrou, passando de 33 para 67 colaboradores, e a produção passou de 1.200 para 2.300 pares por dia, alta de aproximadamente 92%. O gerente de produção Alan Horlle atribui o crescimento ao mercado e aos investimentos em processos produtivos.
“Tivemos ajustes de processo e mão de obra, e implantamos também uma esteira produtiva, onde a gente consegue dar um pouco mais de volume para atender o mercado atual”. A ampliação também abriu espaço para a formação de novos profissionais.

Cerca de 50% dos trabalhadores atuais da unidade não tinham experiência anterior no setor calçadista, destaca o gerente de produção. “Hoje, dessas 67 pessoas, em torno de 35 pessoas não tem experiência nenhuma no calçado e nós fazemos a capacitação. A gente tá abrindo essa oportunidade para as pessoas se profissionalizarem”, destaca Alan Horlle.

A unidade trabalha ainda com a perspectiva de chegar a 200 colaboradores. Para Luiza Santos, de 25 anos, que trabalha na unidade, o crescimento representa novas oportunidades para a população local. “Começamos aqui com 15 pessoas e agora já estamos com 67. A gente fica feliz, a cada dia entrando mais gente. Ter mais oportunidades é sempre bom”.
Indústria e geração de empregos

A indústria tem papel relevante na geração de empregos formais em Sergipe. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor engatou forte recuperação em 2024, registrando saldo positivo de 1.735 postos de trabalho. Após oscilações ao longo de 2025, o mercado de trabalho industrial voltou a apresentar crescimento em 2026, com destaque para a participação dos pequenos negócios.

Entre os fatores que contribuem para esse movimento está a política de estímulo à atividade industrial no estado, que inclui o Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), gerido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec) e tendo a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise) como um de seus executores.

Entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, o PSDI aprovou incentivos para 116 empresas, com previsão de mais de R$ 2 bilhões em investimentos privados e de 5.559 empregos diretos. Os empreendimentos estão distribuídos em diferentes municípios sergipanos, ampliando a presença da atividade industrial e as oportunidades de trabalho fora da capital.

O secretário da Sedetec, Valmor Barbosa, ressalta que a geração de empregos é um dos principais resultados esperados pela política de incentivos do PSDI. “O fortalecimento de empreendimentos em municípios como Carira e Nossa Senhora Aparecida mostra como a presença da indústria pode ampliar as oportunidades de trabalho para a população local, contribuindo também para a movimentação da economia dos municípios sergipanos”.
“A Codise está sempre empenhada em apoiar empreendimentos que tenham compromisso com a geração de empregos, renda e movimentação da economia dos municípios. Esse trabalho também contribui para descentralizar o desenvolvimento e fazer com que novas oportunidades de trabalho cheguem a diferentes regiões de Sergipe”, reforça o diretor-presidente da Codise, Ronaldo Guimarães.

